terça-feira, 19 de setembro de 2017

Pensamentos Impensados

Sobe e desce
Portugal saiu do lixo; o Benfica lixou-se.

Promoções
Sempre considerei o Ministro da Defesa uma figura secundária, mas, com as declarações a propósito do desaparecimento das armas, acho que é uma figura primária.

SdB (I)

Textos dos dias que correm

Olhar e Chorar

Notável criatura são os olhos! Admirável instrumento da natureza; prodigioso artifício da Providência! Eles são a primeira origem da culpa; eles a primeira fonte da Graça. São os olhos duas víboras, metidas em duas covas, e que a tentação pôs o veneno, e a contrição a triaga. São duas setas com que o Demónio se arma para nos ferir e perder; e são dois escudos com que Deus depois de feridos nos repara para nos salvar. Todos os sentidos do homem têm um só ofício; só os olhos têm dois. O Ouvido ouve, o Gosto gosta, o Olfacto cheira, o Tacto apalpa, só os olhos têm dois ofícios: Ver e Chorar. Estes serão os dois pólos do nosso discurso.
Ninguém haverá (se tem entendimento) que não deseje saber por que ajuntou a Natureza no mesmo instrumento as lágrimas e a vista; e por que uniu a mesma potência o ofício de chorar, e o de ver? O ver é a acção mais alegre; o chorar a mais triste. Sem ver, como dizia Tobias, não há gosto, porque o sabor de todos os gostos é o ver; pelo contrário, o chorar é o estilado da dor, o sangue da alma, a tinta do coração, o fel da vida, o líquido do sentimento. Por que ajuntou logo a natureza nos mesmos olhos dois efeitos tão contrários, ver e chorar? A razão e a experiência é esta. Ajuntou a Natureza a vista e as lágrimas, porque as lágrimas são consequência da vista; ajuntou a Providência o chorar com o ver, porque o ver é a causa do chorar. Sabeis porque choram os olhos? Porque vêem.

Padre António Vieira, in "Sermões"

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

De um forcado

Fernando Quintela, forcado dos Amadores de Alcochete, morreu no final da semana passado, no decorrer de uma pega de touros. Tinha 26 anos, e à família dele ligavam-me laços de proximidade e de amizade com mais de 40 anos. 

Nada se diz a uns pais que perdem um filho, seja desta ou daquela forma. Nenhuma frase é consoladora, porque nenhuma frase tem o poder mágico de parar o mundo e levá-lo a rodar em sentido inverso até nos quedarmos no momento imediatamente antes do drama maior na vida de uns pais, naquele tempo de felicidade possível em que estão todos de volta de uma mesa a conversar sobre as banalidades da vida. Ou, no caso do Fernando, para chegarmos de novo ao momento em que o cornetim chama o grupo para a pega, ao momento em que todos saltam para a arena, ao momento em que, inundado de adrenalina e gozo, ele cita um animal com uma voz que foi feita para aquilo, e o agarra com uns braços que foram feitos para aquilo. 

Nenhuma frase é suficiente para permitir que a visão do passado, das memórias fagueiras, das primeiras frases e dos sonhos paternais de futuro não seja interrompida de forma brutal, como um música que se suspende inesperadamente no ar, uma oração que ficou por completar por esquecimento da fórmula ou por descrença na sua dimensão benéfica. Como se entre uns pais e o campo que é o futuro sem limite se interpusesse uma parede brutal, alta e, num certo sentido, intransponível.

Muito pouco se pode dizer a uns pais que perdem um filho, e eu nada lhes direi quando os vir, nada de muito sério ou reconfortante lhes diria se me encomendassem um escrito para os pais do Fernando. Podemos falar da fé que não pode abandonar-nos, na certeza de que o rapaz está bem, na mão inexistente de Deus neste acontecimento, porque essa convicção nos permite que continuemos a rezar e a pedir e a agradecer e a interrogar Aquele que não é senão Amor.  A uns pais que perdem um filho dá-se um abraço e confia-se que não lhes falte nada nos tempos que virão: os amigos e a família, um sorriso, a alegria possível, o luto bem feito, a necessidade de encontrar um sentido para tudo isto, a fé que sempre existiu naquela família alargada. 

Ser-se forcado - digo eu, que nunca fui - não é uma opção de herói ou de louco. É gostar do risco, seguramente herdar esse gosto, no caso do Fernando, ter consciência de que tudo pode acontecer: as mazelas e o corpo dorido, o ramo de flores atirado da bancada com um sorriso ou um beijo, as noites maniversas sem glória, o espírito de grupo a não quebrar-se nunca, o respeito por um confronto de desenlace incerto. Ou ainda o fim de tudo, como aconteceu a nove rapazes nos últimos trinta anos. Como aconteceu ao Fernando, que se dedicou àquilo que lhe dava gozo, ciente de que podia haver um preço a pagar. E essa certeza do gozo e da satisfação podem ser um vislumbre de consolo para quem se confronta com o vazio de uma pergunta sem resposta, para quem questiona o destino, a mão divina, a justeza da vida.

Muito pouco ou nada se diz a uns pais que perdem um filho, seja desta ou daquela forma. Talvez rezar, pelo que farei o melhor possível.

JdB         

domingo, 17 de setembro de 2017

24º Domingo do Tempo Comum

EVANGELHO – Mt 18,21-35

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo,
Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou-Lhe:
«Se meu irmão me ofender,
quantas vezes deverei perdoar-lhe?
Até sete vezes?»
Jesus respondeu:
«Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.
Na verdade, o reino de Deus pode comparar-se a um rei
que quis ajustar contas com os seus servos.
Logo de começo,
apresentaram-lhe um homem que devia dez mil talentos.
Não tendo com que pagar,
o senhor mandou que fosse vendido,
com a mulher, os filhos e tudo quanto possuía,
para assim pagar a dívida.
Então o servo prostrou-se a seus pés, dizendo:
‘Senhor, concede-me um prazo e tudo te pagarei’.
Cheio de compaixão, o senhor daquele servo
deu-lhe a liberdade e perdoou-lhe a dívida.
Ao sair, o servo encontrou um dos seus companheiros
que lhe devia cem denários.
Segurando-o, começou a apertar-lhe o pescoço, dizendo:
‘Paga o que me deves’.
Então o companheiro caiu a seus pés e suplicou-lhe, dizendo:
‘Concede-me um prazo e pagar-te-ei’.
Ele, porém, não conseguiu e mandou-o prender,
até que pagasse tudo quanto devia.
Testemunhas desta cena,
os seus companheiros ficaram muito tristes
e foram contar ao senhor tudo o que havia sucedido.
Então, o senhor mandou-o chamar e disse:
‘Servo mau, perdoei-te, porque me pediste.
Não devias, também tu, compadecer-te do teu companheiro,
como eu tive compaixão de ti?’
E o senhor, indignado, entregou-o aos verdugos,
até que pagasse tudo o que lhe devia.
Assim procederá convosco meu Pai celeste,
se cada um de vós não perdoar a seu irmão
de todo o coração».

sábado, 16 de setembro de 2017

Pensamentos Impensados

Adágio
Vozes de burro nem chegam aos seus.

Coisas comuns
Adão quis armar-se em Chico Esperto e disse que tinha uma licenciatura.
Deus disse-lhe: deixa de armar-te aos cucos! Já chegamos a Portugal, ou quê?

Chiquezas
Coco Chanel tinha um cão que fazia cocó chanel.

IGI - N
Limpeza étnica será dar banho aos beduínos?

Mudança de estado
O homem precisa de morrer para se tornar imortal.

Eleições à vista
Conselhos e copos de água só se dão a quem os pede.
Concelhos e copos de água só se dão a quem os pede.

Bandas
Há várias espécies de bandas, sendo as mais comuns a banda sonora e a bandalheira.

Futebóis
Muitos jogos de futebol se resolvem no tempo de compensação, pelo que se propõe só haver tempo de compensação.

SdB (I)

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Poemas dos dias que correm

Os Homens Gloriosos

Sentei-me sem perguntas à beira da terra, 
e ouvi narrarem-se casualmente os que passavam. 
Tenho a garganta amarga e os olhos doloridos: 
deixai-me esquecer o tempo, 
inclinar nas mãos a testa desencantada, 
e de mim mesma desaparecer, 
— que o clamor dos homens gloriosos 
cortou-me o coração de lado a lado. 

Pois era um clamor de espadas bravias, 
de espadas enlouquecidas e sem relâmpagos, 
ah, sem relâmpagos... 
pegajosas de lodo e sangue denso. 

Como ficaram meus dias, e as flores claras que pensava! 
Nuvens brandas, construindo mundos, 
como se apagaram de repente! 

Ah, o clamor dos homens gloriosos 
atravessando ebriamente os mapas! 

Antes o murmúrio da dor, esse murmúrio triste e simples 
de lágrima interminável, com sua centelha ardente e eterna. 

Senhor da Vida, leva-me para longe! 
Quero retroceder aos aléns de mim mesma! 
Converter-me em animal tranquilo, 
em planta incomunicável, 
em pedra sem respiração. 

Quebra-me no giro dos ventos e das águas! 
Reduze-me ao pó que fui! 
Reduze a pó minha memória! 

Reduze a pó 
a memória dos homens, escutada e vivida... 

Cecília Meireles, in 'Mar Absoluto'

***

Lua Adversa

Tenho fases, como a lua, 
Fases de andar escondida, 
fases de vir para a rua... 
Perdição da minha vida! 
Perdição da vida minha! 
Tenho fases de ser tua, 
tenho outras de ser sozinha. 

Fases que vão e que vêm, 
no secreto calendário 
que um astrólogo arbitrário 
inventou para meu uso. 

E roda a melancolia 
seu interminável fuso! 

Não me encontro com ninguém 
(tenho fases, como a lua...). 
No dia de alguém ser meu 
não é dia de eu ser sua... 
E, quando chega esse dia, 
o outro desapareceu... 

Cecília Meireles, in 'Vaga Música'

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Duas Últimas

Passo dois dias fantásticos de férias em casa do meu querido amigo fq e mulher, em Soltroia. A casa tem, numa apreciação muito genérica, muito do que quero enquanto beneficiário de férias: saio de casa a pé por um carreiro de areia e, ao fim de 5 minutos de caminhada, estou na praia; uma praia grande, sem ninguém, desanuviada e sem toldos, com uma temperatura ambiente agradável, um mar simpático e uma água moderadamente fria (como eu gosto). Hoje em dia guio pouco, porque já não tenho de me deslocar para um posto de trabalho longe. Mas, mesmo assim, privilegio não ter de usar o carro para ir para a praia. Em cima de tudo, Setembro sempre foi um mês bom para férias: há menos gente, menos calor, menos carros em circulação. 

Porque o fq não pedia postar, decidi desafiar o filho dele, João, de 17 anos, a escolher as músicas para hoje. Dei-lhe liberdade total, mesmo que as músicas escolhidas me parecessem inaudíveis. Eis o que ele decidiu, sendo que a segunda é escolhida por causa do pai.

Sejam felizes, que hoje ainda é dia de praia para mim.

JdB



quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Vai um gin do Peter’s?

No núcleo cultural do media digital da BBC (de ano anterior), o crítico de arte nova-iorquino, Jason Farago, elaborou um artigo sobre as 10 tapeçarias mais bonitas da arte ocidental. Uma selecção arriscada e muito subjectiva, mas prática para o ritmo acelerado da nossa época, já viciada na simplificação do “top-ten”.

Nove das dez eleitas são lindas, pelo que seguem abaixo, saltando apenas a décima escolha de Farago, que recaiu sobre uma tapeçaria de Kiki Smith, de gosto mais discutível (creio), intitulada «Congregation» e datada de 2014. Assim, o elenco aqui postado coloca em primeiro uma escolha nova, de origem portuguesa, que faz jus à qualidade e beleza das tapeçarias de Pastrana. 

O esplendor de qualquer conjunto de arte têxtil ficaria incompleto sem o contributo português, também interessante e repleto de peças deslumbrantes, que estão já a ser coleccionadas para o próximo gin. Esse novo grupo cruzará os critérios de fabrico luso e/ou de pertença ao nosso património artístico. Como é expectável, percorre um arco temporal menos lato que o podium sugerido por Farago.  

Curiosamente ou, melhor dito, significativamente, a escolha do norte-americano inclui uma obra feita na China e destinada ao mercado português, muito provavelmente de encomenda lusa, pois trata-se de uma tapeçaria ao melhor estilo ocidental, exemplarmente tecida no Extremo Oriente. Farago sublinha esse facto para demonstrar o dinamismo do primeiro movimento de globalização comercial inaugurado pelos portugueses. Sabe bem ver a nossa História honrada além-fronteiras.    




Pormenor de uma das quatro magníficas tapeçarias de Pastranas, subtraídas à coroa portuguesa no reinado do próprio D.Afonso V, que as encomendara aos ateliers flamengos para comemorar as conquistas no Norte de África. Actualmente, em posse espanhola, foi tema do gin de 11 de Agosto de 2010. 

«Tapeçaria do Apocalipse», 1377–1382 (a mais antiga), com episódios do último livro da Bíblia. É-lhe ainda atribuído alcance político por aludir à devastação provocada pela Guerra dos Cem Anos. Qual BD colossal, estende-se por 100m, guardados no museu francês albergado no Château d’Angers. 

«Tapeçaria de caça, de Devonshire», c. 1440–50, tecida na Flandres e exibida no Victoria & Albert Museum de Londres. À época, esta arte têxtil cumpria a dupla função de decorar e preservar da humidade actuando como isolante. O tema da caça era popular, pois juntava divertimento com uma via de socialização relevante.  

Última da série de 6 tapeçarias francesas: «A Senhora com o Unicórnio»,  de finais do séc. XV. Constitui um exemplar perfeito do estilo millefleur («mil flores»), exposto no Museu de arte medieval, em Cluny. Esta peça tem como sub-título: «Mon seul désir» e está impregnada de conotações religiosas por se associar a Senhora do unicórnio à Mãe de Cristo.


Da colecção das 7 «Tapeçarias do Unicórnio», de 1495-1505. Título específico desta obra: «Unicórnio no cativeiro». Em 1937, o grupo foi doado ao Estado pelo magnata John Rockfeller. Tecido em lã e seda, terá sido fabricado em Liège ou Bruxelas, sendo dos mais ricos exemplares medievos. É digna de nota a alegria do unicórnio dentro da pequena cerca, de fácil transposição para a sua estatura e agilidade. 

«O rapto de Helena», do primeiro quartel do séc. XVII, pertence ao Metropolitan Museum of Art de Nova Iorque. Tecida em trama de algodão, está sumptuosamente bordada a fio de seda e ouro. A célebre cena da mitologia grega tem fabrico chinês mas gosto ocidental, destinando-se ao mercado português, que já detinha ligações comerciais privilegiadas com o Império do Meio.  

«A pesca milagrosa» – gobelin manufacturado em Paris, no início do séc.XVIII, baseado numa tela do Louvre assinada por Jean Jouvenet. Após o desaparecimento do carismático coordenador dos gobelins, Charles le Brun – pintor oficial de Luís XIV, estes reinventaram-se com uma palete cromática ampliada, a permitir maior realismo pictórico. Porém, o uso frequente do emblema da família real – a flor-de-lys – na moldura, levou à destruição de muitos exemplares durante a Revolução Francesa. 

Peça da série de 10 tapeçarias «Holy Grail», 1898–99, da autoria de Edward Burne Jones. Além de liderar o movimento pré-rafaelista, Jones destacou-se como designer e político socialista. O conjunto, guardado em Birmingham, percorre a história dos Cavaleiros da Távola Redonda. 

«We Are Living on a Star», 1958, da artista norueguesa Hannah Ryggen, muito ligada a esta tradição têxtil, que remonta à era viking. Nesta composição, ressalta um casal nu, a pairar entre o mundo natural e a sociedade, sobre um fundo pontuado por símbolos enigmáticos. Pertença do Estado, tem sido peça decorativa do gabinete do Primeiro-Ministro da Noruega.  

Série «Musa», de 2009, tem autoria do artista hoje considerado a maior sumidade viva na pintura – o alemão Gerhard Richter. O conjunto replica em têxtil as simetrias abstractas características das telas do pintor, lembrando vagamente os padrões repetidos da arte oriental de cariz muçulmano. 

Maria Zarco
(a preparar o próximo gin tónico, para daqui a 2 semanas, numa Quarta-feira)


terça-feira, 12 de setembro de 2017

Dos comboios e das camionetas

Tenho fases na minha vida: vão, vêm, ficam mais tempo, saem de repente, inquietam-me ou suscitam-me a nostalgia, a tal felicidade de estar triste. A fase que mais permanece, que teima em não ir embora, não obstante eu a não desejar, é o excesso ponderal. Tal como o anúncio do toyota (parece-me) veio para ficar. 

Desenvolvo dentro de mim uma fase diferente, quase a roçar a obsessão: a de ir à América do Sul e fazer lá uma parte da viagem de comboio ou de camioneta. A esse propósito, até já tenho prevista uma conversa com uma jovem rapariga que, acompanhada de uma amiga, de uma mochila e de muita aventura, andou dois meses por esse continente. Obviamente que tomarei em consideração algum conforto, alguma segurança, alguma higiene. Mas a ideia desta aventura (que não é mais do que a procura de um tempo perdido) vai crescendo dentro de mim com alguma perigosidade. 2019, se a vida me der estabilidade nas suas várias vertentes, porque para 2018 já tenho outros planos.

Um dia destes, falho de imaginação e saudoso daquele tempo, fui ver onde estava naquele momento, mas em 2008, no Zimbabwe. Não só onde estava, mas o que escrevia, o que pensava, qual o meu estado de espírito. Durante 15 minutos entreguei-me a um exercício de rememoração, saudoso de um tempo em que escrevia com uma ligeireza que até a mim me espantava, mas saudoso, também, de uma viagem duradouramente marcante. Nesse mesmo dia, no dia anterior ou no dia seguinte, já não me lembro, alguém me manda um sms: está a dar um programa sobre comboios no Zimbabwe; talvez gostes de ver. Não vi naquela altura, vi depois. Mas vi com os olhos do coração e das lembranças - as pessoas, as cataratas, os apertos de mão prolongados, o silêncio de um comboio a atravessar o silêncio da noite num campo com pouco mais do que palhotas e miséria, a simpatia indígena, o tempo cronológico pela frente que se esgota em poucos entretenimentos, a não ser a atenção aos outros.

Não viajei no comboio que atravessa o Zimbabwe e que chega às cataratas; visitei-as burguesmente de avião, o que não me impediu de fixar o ar húmido e minado de gotículas, a beleza estonteante daquele local que põe as cataratas do Niagara na segunda divisão. 

Entre aquela viagem e a ideia de uma camioneta na América do Sul o conjunto intersecção não é vazio. Não há, para esse efeito, diferença entre Harare e Bogotá, entre o campo zimbabueano ou uma feira em Lima - tudo se resume à lentidão com que se observa o mundo em redor, e o que isso nos diz das pessoas, do mundo, de nós próprios.

JdB 

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Moleskine

Transcendência em três actos
1) Almoço 6ªfeira, entre outros, com um amigo que esteve de férias em Bali. Fala maravilhado dos dias que lá passou, do que viu e, acima de tudo, do que sentiu: um povo (maioritariamente hindus) que aproveita todas as ocasiões para demonstrar a sua espiritualidade, a sua pequenez perante a natureza, o universo, o transcendente.

2) Dias antes falara com alguém que conhece bem a Índia, até porque lá vive. Falámos da minha não devoção aos santos - tema sobre o qual já aqui escrevi. Disse-me (e espero reproduzir bem o raciocínio) que a nossa devoção aos santos lhe parecia semelhante à devoção dos hindus pela enorme diversidade de deuses - um deus para isto, outro para aquilo...

3) No ano de todos os anos, pessoa de uma geração acima da minha, e que eu muito estimava (a estima era recíproca) perguntou-me se eu não queria organizar uma novena (ou uma corrente de oração) a S. Judas Tadeu pela recuperação de uma determinada pessoa. Crente que sou, acredito no poder da oração, que fará mais pela saúde da alma do que pela saúde do corpo, pois me parece que os milagres se manifestam mais no intangível. Se eu quisesse ser desagradável talvez perguntasse: quem é S. Judas Tadeu? E porquê a ele e não a S. Higino, ou a S. Francisco de Assis, ou a S. Vito?    

"Guichet de reclamação"
Há uma semana escrevi, de forma algo irónica, sobre o que fazer face à loucura do norte-coreano, à tontaria de Trump ou à audácia de Putin, mais aos nacionalismos exacerbados de alguns países do leste. O post pretendia ter um ar ligeiro, mas, dados os comentários que foram e não foram publicados, dei por mim a pensar: o que podemos fazer, de facto, relativamente a estes comportamentos? De que forma é que o alerta por whatsapp para os perigos que potencialmente se avizinham tem alguma relevância? E o que vemos nós, numa cadeira de esplanada com vista para a praia da Poça, que os outros não vêem? Na realidade, internacionalmente nada podemos fazer. Individualmente, cada um de nós não é nada e, mesmo votando para o governo de Portugal, nenhuma influência teremos nestes domínios. Não nos é dado encontrar, e cito ATM, o "guichet de reclamação". O que podemos então fazer pela paz mundial? Lutar pela paz no nosso círculo, estar atento ao nosso próximo mais próximo. Conseguiremos com isso destituir o Trump? Não, mas deixaremos o mundo um pouco melhor.

Trânsito
Em 1975 quando comecei a viajar de avião, não se embarcava com uma farpela qualquer. Lembro-me de ter ido a Nova Iorque em 1980 (81?) com dois amigos. A fotografia icónica dessa viagem foi tirada à porta do YMCA, onde nos albergámos remediadamente durante os dias da estadia. Três jovens, com 20 ou 22 anos, de calças de fazenda e blazer, como se tivéssemos viajado num paquete cheio de nobreza europeia. Naquela altura, um aeroporto e uma gare de comboios eram muito diferentes - o comboio não solicitava indumentária especial. Hoje muda só o meio de transporte, que a frequência já não é tão diferenciável, a não ser, talvez, pelas mochilas.

As ideias acima são uma visão muito curta, a análise sociologicamente mais básica de ambas as realidades. De facto, uma estação de comboio ou um aeroporto poderão ser, tal como uma fábrica, um microcosmos de gente que circula, que tem vidas, segredos, que se organiza de forma própria, que parte e regressa. Ver isto é ver mais além.

A este propósito vale a pena ler o texto de Rentes de Carvalho no seu blogue. Um texto interessante, para quem gosta de encontrar uma dinâmica diferente nas coisas aparentemente corriqueiras.

Efemérides
O chamado 11 de Setembro faz hoje 16 anos. O mundo nunca mais foi o mesmo.

JdB   

domingo, 10 de setembro de 2017

23º Domingo do Tempo Comum

EVANGELHO – Mt 18,15-20

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo,
disse Jesus aos seus discípulos:
«Se o teu irmão te ofender,
vai ter com ele e repreende-o a sós.
Se te escutar, terás ganho o teu irmão.
Se não te escutar, toma contigo mais uma ou duas pessoas,
para que toda a questão fique resolvida
pela palavra de duas ou três testemunhas.
Mas se ele não lhes der ouvidos, comunica o caso à Igreja;
e se também não der ouvidos à Igreja,
considera-o como um pagão ou um publicano.
Em verdade vos digo:
Tudo o que ligardes na terra será ligado no Céu;
e tudo o que desligardes na terra será desligado no Céu.
Digo-vos ainda:
Se dois de vós se unirem na terra para pedirem qualquer coisa,
ser-lhes-á concedida por meu Pai que está nos Céus.
Na verdade, onde estão dois ou três reunidos em meu nome,
Eu estou no meio deles».

***

O perdão não consiste numa emoção, mas numa decisão. Não nasce como acontecimento imprevisto, mas como um percurso.

O alcance escandaloso do perdão, que vai contra todos os nossos instintos, está no facto de que é a vítima que se deve converter, não aquele que ofendeu, mas aquele que sofreu a ofensa.

É difícil, e todavia o Evangelho assegura que há uma possibilidade oferecida ao homem para um futuro restaurado. «O perdão é a "des-criação" do mal» (R. Panikkar). Porque repara incessantemente o tecido continuamente ferido das nossas relações.

Jesus indica um percurso em cinco passos. O primeiro é o mais exigente: tu podes intervir na vida de um outro e tocar-lhe no íntimo, não em nome de um papel ou de uma suposta verdade, mas apenas se tomou carne e sangue dentro de ti a palavra irmão, como afirma Jesus: se o teu irmão peca...

Só a fraternidade real legitima o diálogo. O verdadeiro; não o político, no qual se medem as forças, mas no evangélico, em que se mede a sinceridade.

O segundo momento: depois de teres interrogado o coração, vai e fala, dá tu o primeiro passo, não te feches num silêncio hostil, não cometas ofensas, mas sê tu a relançar a relação. No coração da vida, tudo começa do tijolo elementar de toda a realidade, a relação eu-tu.

Se te escutar, terás ganho o teu irmão. Verbo sublime: ganhar um irmão. O irmão é um ganho, um tesouro para ti e para o mundo. Investir em fraternidade é a única política económica que produz verdadeiro crescimento.

Depois os outros passos: toma contigo uma ou duas pessoas, a seguir fala à comunidade. E se não te escuta, seja para ti como o pagão e o publicano. Um excluído, um descartado? Não. Com ele comportar-te-ás como fez Jesus, que se senta à mesa com os publicanos para anunciar a bela notícia da ternura de um Deus que se inclina sobre cada um dos seus filhos.

Tudo aquilo que ligares ou desligares na Terra, o será também no Céu. Jesus não fala como um jurista, nunca o faz. O poder de perdoar o mal (...) é o poder conferido a todos os irmãos de se tornarem presença que "des-cria" o mal, com gestos que vêm de Deus: perdoar os inimigos, transfigurar a dor, identificar-se no próximo: é a eternidade que se insinua no instante.


Ermes Ronchi
In "Avvenire"

Publicado em 08.09.2017

sábado, 9 de setembro de 2017

Pensamentos Impensados

Modas
Clark Gable usava bigode à Clark Gable.

Distrações
Einstein era meio aéreo mas não consta que se tivesse oferecido para apagar fogos.

Marinhagem de quinhentos
Bartolomeu Dias, quando dobrou o Cabo das Tormentas, só disse caravela e o monstro.

Registo Civil
Adão foi registado como Adão de Deus Júnior.

Opções
Quem me dera ser animal, só teria direitos e não obrigções; não pagava impostos.

Futebóis
Fora de jogo - Diz-se dos jogadores que estão no banco dos suplentes.

Meias palavras
Se uma semifusa é metade de uma fusa, cemitério é metade de um tério.

Altas matemáticas
Meia, é metade de um par de meias;  já peúga não sei o que seja.

SdB (I)

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Dos diários

Um diário tem (quase) sempre uma natureza íntima, pois é ali que falamos de desilusões, esperanças, relações afectivas, acontecimentos do dia a dia. De facto, é tão íntimo que não conheci ninguém que mostrasse de bom grado os seus diários, sendo que, numa certa juventude, até havia alguns que incluíam um cadeado. 

Há escritores que, por diversas razões, utilizam um registo diarístico na sua obra. Foi o caso, por exemplo, de Rita Ferro e (não estando bem certo do que digo, porque me parece que só li um volume) Marcello Duarte Mathias, para falarmos apenas nos actuais. Outras pessoas há que transformam um diário em Diários. Isto é, por uma razão ou outra, transformam aquilo que foram escrevendo ao longo dos anos num livro, dando ao público acesso a uma parte (ou à totalidade) do que escreveram. 

Acabei esta semana um livro de que fiz referência há algumas semanas: Acta esta Fabula, Memórias V - Regresso a Portugal (1995 - 2015) de Eugénio Lisboa. Trata-se de um diário ao qual o autor junta considerações actuais. Esta diário é um diário no sentido mais intimista que se possa falar. O que lá está é o que vai na alma do autor que, talvez ao início, não supusesse os seus diários publicados: há referências à vida social (com nomes), às filhas e netos, à doença e morte da mãe, do sogro, de amigos e dos dois gatos. Há considerações de ordem afectiva, quanto ao estado anímico (seu e dos outros), aos seus desejos e frustrações. Tem essa dimensão de registo pessoal.

Concomitantemente ao desgosto pelo dois gatos que morrem em idades diferentes, Eugénio Lisboa revela abundantemente o seu ateísmo mais aguerrido, com frases agressivas e desproporcionadas que não revelam decoro nem respeito. Menciona a sua embirração de estimação a Vergílio Ferreira, a Saramago, a Eduardo Prado Coelho, aos escritores actuais portugueses, à promoção das figuras públicas, aos políticos, aos ordenados pagos a Miguel Sousa Tavares e não sei quem, aos erros de sintaxe de Maria Filomena Mónica, à academia, aos pensadores que são isto mais aquilo. Concomitantemente ainda a tudo isto, há uma lista exaustiva de autores comprados, numa voragem que, a revelar igual capacidade de leitura, me provoca inveja. Mais de metade dos autores citados não os conheço - o que não (me) é abonatório... Ou talvez não seja isso. Concomitantemente ainda (e termino a utilização da palavra) há páginas imensas de auto-elogio, de auto-vitimização, de visão sobranceira sobre o mundo em redor, como se só da casa de Eugénio Lisboa, em S. Pedro do Estoril, se derramasse uma luz salvífica sobre o mundo.

Eugénio Lisboa escreveu para si próprio quando escreveu o diário, porque só depois escreveu para os outros. E o que lhe saiu intimamente foi este livro (e só li um dos cinco volumes...). Ou talvez tenha sido isto que ele quis ver publicado. Nunca escrevi diários, mas questiono-me se seria isto que eu poria - veneno, desprezo, embirrações, desrespeito, listas infindáveis de livros fantásticos adquiridos, superioridade que pode ser um disfarce da inveja. Na realidade, o que poria eu num diário?

JdB

PS: numa troca de sms com o meu querido amigo ATM, que me emprestou o livro, dou-lhe nota muito resumida do que tiro como ar do livro. Responde-me provocadoramente, nesta incessante graça que ele faz com o meu regresso à faculdade e ao mundo da literatura aos 50 e muitos anos: "é a tua tribo". Sorrio com gosto, mas, se assim for, "destribo-me". 

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Textos dos dias que correm

Todo o Passado é um Erro para cada um de Nós

No fundo, todo o passado é um erro para cada um de nós. E como ninguém é capaz de aceitar corajosamente os erros e de fazer deles um roteiro de sinceridade, contorna-se o problema desta ingénua maneira: recomeçar. Sem nos querermos convencer de que nada pode deixar de ser como é, porque continuamos os mesmos e, só errado, o caminho é bonito e nos apetece. Recomeçar uma, duas, cinquenta vezes, e chegar à meta com este lamento hipócrita na boca: — Ah, se eu voltasse aos vinte anos e soubesse o que hoje sei! 

Miguel Torga, in "Diário (1943)"

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As Únicas Verdades que se Demonstram São as do Passado

Aqueles que se apoiam em razões coerentes e não na riqueza do coração, que discutem para agir segundo a razão, nem sequer chegarão a agir porque aos silogismos deles alguém mais hábil oporá argumentos melhores, aos quais eles, depois de terem reflectido, oporão argumentos ainda melhores. E assim, de advogado hábil em advogado mais hábil, por toda a eternidade. 
As únicas verdades que se demonstram são as do passado, evidentes em primeiro lugar porque são. Se quiseres explicar pela razão o motivo por que determinada obra é grande, consegui-lo-ás sem dúvida. Porque conheces de antemão o que desejas demonstrar. Mas a criação não pertence a esse domínio. Experimenta dar pedras ao teu contabilista e ele não construirá templo algum. 

Antoine de Saint-Exupéry, in 'Cidadela'

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Todo o Presente Espera pelo Passado para nos Comover

Há vária gente que não gosta de evocar o passado. Uns por energia, disciplina prática e arremesso. Outros por ideologia progressista, visto que todo o passado é reaccionário. Outros por superficialidade ou secura de pau. Outros por falta de tempo, que todo ele é preciso para acudir ao presente e o que sobra, ao futuro. Como eu tenho pena deles todos. Porque o passado é a ternura e a legenda, o absoluto e a música, a irrealidade sem nada a acotovelar-nos. E um aceno doce de melancolia a fazer-nos sinais por sobre tudo. Tanta hora tenho gasto na simples evocação. Todo o presente espera pelo passado para nos comover. Há a filtragem do tempo para purificar esse presente até à fluidez impossível, à sublimação do encantamento, à incorruptível verdade que nele se oculta e é a sua única razão de ser. O presente é cheio de urgências mas ele que espere. Ha tanto que ser feliz na impossibilidade de ser feliz. Sobretudo quando ao futuro já se lhe toca com a mão. Há tanto que ter vida ainda, quando já se a não tem... 

Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente 5'

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Duas Últimas

Mão amiga divulgou os Quatro e Meia. Não faço ideia de quem são, não ouvi as músicas todas, não sei em que género se inscrevem. Por junto não sei nada, a não ser que estou falho de inspiração, já escrevi dois posts esta semana e não quero maçar ninguém. 

Descansem da minha prosa e deliciem-se com os Quatro e Meia. Se atentarmos nos comentários, a banda é um sucesso que provoca frenesim por aí.

E agradeço à mão amiga...

JdB 




terça-feira, 5 de setembro de 2017

Dos jornalistas

E vós também, pindéricos jornalistas
que fazeis cócegas e outras coisas
à opinião pública! (...)

Almada Negreiros

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Na minha qualidade de Presidente, ou de simples membro da Direcção, representei a Acreditar inúmeras vezes nos últimos anos: recebi cheques, prémios; falei, conversei, discursei; estive em farmacêuticas, bancos, escolas, empresas, torneios de golfe, etc. Nalguns eventos fui sozinho ou acompanhado social ou profissionalmente; nalguns eventos estavam figuras públicas - presidentes de bancos, administradores, directores, jornalistas, actores de telenovela. Nalguns eventos havia comunicação social - televisões ou jornais.

Em grande parte do mundo, Setembro é dedicado ao cancro pediátrico. A Acreditar associou-se à campanha Setembro Dourado, que pretende sensibilizar a opinião pública para a doença que, excluindo os acidentes, mata mais crianças a partir do primeiro ano de vida. Teremos vários eventos durante o mês, e ontem conseguimos a visita de Marcelo Rebelo de Sousa. Durante a hora que esteve connosco mostrámos-lhe a casa, conversou longamente com crianças, jovens e Pais, beijou e deixou-se fotografar, interessou-se genuinamente por tudo, dando sempre a sensação que estava lá, sem pressas nem agendas. Sempre de mão dada com ele, três ou quatro crianças a que se juntou uma jovem. Se uma ou outra poderiam não suscitar a atenção, numa adolescente e numa criança os sinais de doença eram evidentes.   






Na qualidade de presidente da Acreditar falei do nosso próximo e grande projecto: a ampliação (duplicação, no fundo) da casa de Lisboa para dar resposta a uma permanente e dolorosa lista de espera, já que não conseguimos albergar todos aqueles que nos procuram. Um desafio que orçará 1.700.000€, talvez, que terá de ser suportado principalmente por mecenato. Um pai, cabo-verdeano, falou a seguir a mim, mencionando a importância que a Acreditar e a casa têm no processo de doença e recuperação. Falou então Marcelo Rebelo de Sousa, demorando-se na campanha, na importância da Acreditar, na luta das crianças. 

Depois os jornalistas quiseram fazer perguntas. Penso que estaria tudo organizado, porque só a RTP 1 se dedicou a essa tarefa por três vezes: a primeira para falar de Tancos, a segunda para falar de Tancos, a terceira para falar da Coreia do Norte. Nenhum jornalista me fez perguntas, nenhum jornalista fez perguntas a qualquer elemento da estrutura profissional ou voluntária da Acreditar, nem sequer a um Pai. Diz-me quem sabe que só vieram porque o presidente não fez declarações no quartel, pelo que no jardim da Acreditar, rodeados de Pais e crianças e profissionais e voluntários, os jornalistas quiseram saber dos morteiros roubados e do louco norte-coreano.

Estive várias vezes com actores de telenovelas em eventos onde a Acreditar se fez representar, fosse por mim, ou por outra pessoa. Fomos sempre ignorados pela comunicação social, porque entre uma associação que trabalha com crianças com cancro (e que é protagonista de um evento) e uma carinha laroca que fala do seu último e grande amor não há dúvida sobre o que prevalece.

JdB

Actualização hoje, às 09.00h: não tiro uma palavra ao que escrevi ontem; mas, em abono da verdade, diga-se que o Observador deu uma notícia correcta e simpática, o jornal das 20.00h da TVI idem. Dos outros não sei. Talvez não precisassem de perguntas, que as imagens falariam por si.

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